O que eu mais gosto no Patrick são as rugas dos seus olhos. Seis pra ser exata. Três de cada lado. Foi num dia de muito sol que comecei a contá-las.
.
Era um domingo à tarde, eu acho. e nesse dia conversávamos num posto perto de casa, como nos acostumamos a fazer. conversávamos e olhavámos pra fente. daquele jeito mesmo de quem só está ao lado. não foi preciso aprender a ficar assim e nem lembro o que conversávamos. não tinha afetação, nem pressa, nada: só estávamos um ao lado do outro. Como ele disse outro dia, ou eu, ou alguém de quem a gente goste muito: estávamos um ao lado do outro "pelo tempo de estar"
.
Uma hora, virei e olhei o desenho sem sombras daquelas rugas e pensei, "Patrick tá ficando velho". e ele ficou ainda mais bonito aos meus olhos. Eu já o tinha visto algumas vezes. Outras, nem quis vê-lo. e ainda que eu sempre soubesse, ainda não o tinha visto assim tão de perto, e ele era assim mesmo: mais velho. e a gente também estava mais velho e ele ainda é mais velho do que eu. Tem coisas que o tempo não muda.
.
E foi nesse dia que comecei uma conta exata. Como a simetria de seis rugas divididas por dois igual a três, como toda soma é igual a nove, como dois e dois são cinco: meu amor, tudo certo. Patrick, tudo certo.
.
.
esse texto tem uns meses e hoje é dia 16 de dezembro de 2009.





